Nós Somos

A Cia. de Teatro Tumulto, formada por atores da Cidade de Deus e de outras comunidades do Rio de Janeiro está ligada diretamente à CUFA , sob direção geral de Anderson Quak e Liz Oliveira.
Tem como objetivo primordial ofertar novas telas e óticas para o teatro brasileiro. Reforçar os laços de cultura com a população de acesso restrito. Como lema, os atores adotaram a máxima:
Tumultuar. Contrariar o óbvio. Impressionar. Desconcertar. Mexer com quem está quieto.”
São produções de qualidade, propostas inovadoras, num teatro comunitário ousado e uma arte comprometida com as questões do homem contemporâneo.
O núcleo de dramaturgia se prolifera a cada movimento distinto em classes especializadas para jovens e crianças.
Promove o intercâmbio cultural, por meio de mesas de relacionamentos, debates, encontros artísticos e governamentais, e marca sua presença na inserção sócio-cultural.
Conquistou o apoio cultural de representantes do teatro brasileiro, como Lázaro Ramos, Maria Padilha, Babu Santana, Mariana Ximenes, Guida Viana, Thais Araújo, Tereza Gonzalez e muitos outros tumultuadores.
A inserção de parcerias, apoios e patrocínios, por partes privadas ou governamentais, contribuirão para a expansão e profissionalização teatral, com efeito multiplicador comunitário.
Mundo afora, a Cia de Teatro Tumulto recebe o apoio da Secretaria da Cultura do Governo do Estado.

Capítulos Artísticos

· Prazer em Família

· Paranóia Carioca
· Carroça da História
· Paparutas
. Navio Negreiro
· A Nóia da Paranóia
· Papo Calcinha

. Burgues da Lata

segunda-feira, janeiro 05, 2009


Prazer em Família






Ter dirigido o espetáculo Prazer em Família, foi uma experiência extremamente gratificante, pois além de ser a primeira vez que dirijo uma peça de teatro, foi o maior exemplo de prática de desapego pela qual já passei. No início do Curso de Formação de Atores da Cia. de Teatro Tumulto/2008 em julho, o diretor-geral da Cia., Anderson Quak, expôs ao grupo o objetivo de montar um espetáculo no final do ano e perguntou quem gostaria de ajudar-lhe na direção. Prontamente estiquei o braço e me coloquei a disposição para ser seu assistente de direção. O ator Ricardo Andrade também demonstrou seu interesse em dirigir. Pouco tempo depois, ao ingressarem novos integrantes para o curso, Quak decidiu dividir a turma em dois grupos, sendo um com atores veteranos e outro com atores novatos, sem experiência em montagens teatrais. Cada grupo deveria montar um espetáculo diferente para o mês de agosto. Após a divisão da turma, em mais uma reunião, o diretor-geral explicou aos membros da Cia. que precisaria se afastar por um tempo e que isso faria com que a direção tivesse que ser defendida por nós mesmos. Até então eu estava tranquilo, com a idéia de fazer assistência ao Ricardo Andrade, vulgo Cadinho, porém, logo depois soube que cada um teria que dirigir uma peça. Cadinho optou por deixar o grupo dos veteranos e dirigir o elenco de calouros. Então eu assumi o grupo dos letrados, como Quak chamava. Pedi que Milton Filho, na época um dos atores da Cia., me ajudasse na direção. No entanto, devido a assuntos profissionais, Milton precisou se afastar do grupo, fazendo com que eu ficasse sem o apoio de um assistente. Nesse momento, o Curso de Formação de Atores já ia de vento em popa, o que também me tomava bastante tempo, afinal eu era o responsável pelos convites aos professores do curso. Solicitei então ao Quak que me permitisse adiar o espetáculo para outubro, o que ele prontamente aceitou. Sabiamente porém, me disse que isso iria fazer com que eu relaxasse, o que, de fato, ocorreu. Problemas de saúde em minha família, fizeram eu me afastar por um tempo maior do que o previsto, o que gerou ainda mais atraso na confecção da peça. A montagem foi adiada para o mês de janeiro de 2009, o que fez todo o grupo relaxar. Nesse momento, grande parte do texto da peça já havia sido escrito por mim e por outros integrantes do grupo com talento para a escrita dramatúrgica. O esboço da peça havia sido formado rapidamente em um brainstorm da Cia., resolvemos falar de como os idosos são maltratados, tendo como pano de fundo os prazeres particulares de cada personagem, as manias características de cada um. A peça recebeu o título provisório de Prazer e Suas Nuances. Muito atento ao que era dito nas reuniões e procurando ser democrático na hora de escrever o texto, consegui escrever a primeira cena quase que num mesmo impulso e definir os personagens da história, sabendo com quem eu poderia contar no elenco. No período em que estive afastado, Quak já havia conduzido uma reunião em que ficou definido quem iria participar da montagem como ator e quem estaria na produção. Consegui participar dessa reunião, mesmo que somente mais tarde. Contando com o auxílio e a experiência como roteirista do ator Cacau Amaral, fomos lapidando o que já estava feito. Determinadas cenas foram eliminadas, alguns personagens caíram pois o elenco era menor, ou seja, a história ficou mais enxuta. Sendo assim, algumas personalidades se fundiram e outras simplesmente deixaram de existir. Foi meu primeiro desapego. Então, através do segundo semestre do ano, eu, Cacau, Luiz D'Albuquerque, Ana Paula Borges, Dilene Prado, Dri Ferreira e Geysa Ramos, escrevemos a maior parte do texto, porém ainda faltava escrever três cenas. No início do mês de novembro vem uma notícia-bomba: teríamos que apresentar os dois espetáculos ainda em 2008! Nos dias 19 e 20 de dezembro. Havia pouco mais de um mês e teríamos que correr muito para tudo dar certo. Bem, dizem que algumas coisas só acontecem se houver pressão. Comecei a correr contra o tempo. Foi então que comecei a enxergar as maiores dificuldades pelas quais um diretor passa. O elenco nunca estava completo, o ator principal que viveria o velho Otílio passava por problemas sérios de saúde, não havia ninguém na produção, etc. O desespero de não decepcionar a direção geral começou a bater, junto com a responsabilidade de apresentar um bom trabalho, afinal, no grupo, já éramos todos veteranos em montagens teatrais. Eu sempre fui um ator que sugere, que dá pitacos na direção de espetáculos e/ou filmagens das quais participava. Na verdade minhas sugestões sempre foram aproveitadas, o que me deu motivação para aceitar dirigir sozinho um espetáculo. Nunca pensei que fosse ser tão difícil. Às vezes penso que a dificuldade foi gerada por falta de alguém na produção, outras vezes por minha falta de preparo na direção. Finalmente consegui o apoio de Leandro Santos, integrante da Cia. que não estava em nenhum dos espetáculos. Ele se ofereceu para ser meu assistente de direção, porém sua agenda nunca batia com as datas marcadas para os ensaios. O curso ainda não havia acabado, mas quando havia chance, eu tentava encaixar um ensaio, o que nem sempre era possível, fosse por falta de atores do elenco, fosse por alguma aula ou atividade extra proposta por Quak. A apresentação do espetáculo foi definida para o dia 20 de dezembro de 2008. Figurinos, cenário e produção também ficaram na minha responsabilidade. Duas semanas antes ainda não havia conseguido ensaiar com Luiz D'Albuquerque, que faria o personagem central. Embora tenha participado de todo o processo inicial e de querer realmente participar da montagem, seus problemas pessoais acabaram por afastá-lo da peça. No dia 06 de dezembro, Sábado, durante o almoço, Luiz, pelo telefone, pediu para sair. Foi meu segundo desapego. Por já o conhecer de longa data e confiar que seu talento seria fundamental para passar a mensagem da peça, achava que seria muito arriscado substituí-lo. Nesse momento, pensei, olhei para a frente e quem estava sentado comigo almoçando? Cacau Amaral! Conversamos, fiz a proposta e ele, felizmente aceitou! Anteriormente ele estava fazendo o papel de José Roberto, filho do patriarca Otílio e já estava bem à vontade no personagem. Cacau ficou preocupado em não conseguir decorar totalmente as falas de Otílio, mas o traqüilizei dizendo que o importante era passar a idéia do texto. Àquela altura do campeonato eu precisava ser bastante compreensível com ele. Pode parecer loucura, mas somente dois dias antes da estréia consegui reunir o elenco inteiro da peça. Fizemos um ensaio cansativo para os atores, embora eu estivesse com tanta adrenalina que nem percebi as horas passando. Na sexta-feira, dia 19, após a empolgante estréia de Caras, espetáculo dirigido por Ricardo Andrade com os novos atores, me reuni com o elenco de Prazer em Família, título definitivo do espetáculo que fora definido na semana anterior, e começamos a ensaiar com a observação do diretor-geral, Anderson Quak, que deu ótimas sugestões para serem aplicadas na estréia, porém com a ressalva de que haviam falas a serem cortadas. Saímos da base na CUFA por volta de 02:00 h da madruga. Eu e alguns atores do elenco ainda paramos para um lanche que durou até às 04:30 h da manhã. Foi bom para tentar relaxar, afinal eu parecia tão tenso como nunca estive antes. No dia da estréia pela manhã, precisei ir buscar o cenário, que não havia ficado pronto no prazo combinado. Isso foi a confirmação para que fossem feitas alterações na iluminação programada. O auxílio de pessoas como Liz Oliveira, Clécio Arruda e DMC, foram fundamentais para a realização do espetáculo. Clécio, por se dedicar intensamente a confecção da iluminação do espetáculo, DMC e seu equipamento de som, que mesmo tendo participado de apenas um ensaio, conseguiu entender a essência do trabalho e Liz por fazer pressão para que o trabalho saísse ainda em 2008 e saber ouvir as angústias de um diretor estressado (eu!) e aconselhar- me a curtir o que havia me dedicado com tanto afinco e sentir Prazer com a direção. As palavras de Liz foram determinantes para que eu me sentisse mais forte na minha decisão de não cortar ainda mais o texto. O apoio e a compreensão de maior parte do elenco, fizeram com que no último ensaio (sem a presença de Cacau por motivos profissionais), a peça tenha se mostrado coesa, embora um tanto arrastada. Conversei novamente com os atores e tentei cortar algumas frases, conforme orientação da direção-geral. Foi meu terceiro desapego. Então, partimos para um aquecimento seguido de um relaxamento guiados pela atriz Claudia Leopoldo. Isso foi o suficiente para que nosso grupo entendesse que iríamos conseguir o que almejamos: apresentar um espetáculo vivo, emocionante que pudesse tocar o coração de quem o assistisse. Finalmente, começaram as preparações finais: figurino, maquiagem, e, lógico, a oração para iniciarmos. Então, abracei cada um dos atores de meu elenco e parti para a entrada do teatro para receber a platéia, juntamente com o Quak. Primeiro vimos a esquete infantil A Magia do Natal, dirigida pela parceira Juliana Moraes, depois teve início meu tão sonhado espetáculo. Tudo corria bem, mas meu coração pulava como se eu estivesse acabado de correr a São Silvestre. Até que, na primeira necessidade da troca de cenário, os atores a quem eu pedi essa função não o fizeram. Bastou para me deixar nervosíssimo, achando que daria tudo errado, que ficaria feio, etc. Cheguei a levantar para ir até o palco, mas bastaram algumas palavras do colega Paulo Rhasta (que estava filmando o espetáculo) para eu entender que não devia fazer nada. "Você não vai fazer isso!", ele disse. Foi o suficiente para eu lembrar que o que eu podia fazer pelo espetáculo já estava feito. Agora o espetáculo era dos atores, eles comandavam as ações. Foi meu quarto e derradeiro desapego. Qual não foi minha surpresa ao ver a solução encontrada pelo iluminador Clécio ao dar um B.O. para facilitar a troca do cenário. Mesmo assim, só consegui relaxar de fato após o término do espetáculo, quando os convidados começaram a aplaudir.

Foi lindo! Mágico! Maravilhoso! Uma emoção que só me lembro de ter sentido por mais três vezes em minha vida! Fiquei radiante! Na hora de conversar com a platéia, parecia até que só havia eu ali, tamanha a euforia em que estava nem queria deixar os outros falarem. Felizmente percebi isso a tempo e desconstruímos o espetáculo, relembrando as dificuldades mas agradecendo a Deus o sucesso da realização. Palmas para todo o elenco, que se empenhou em fazer o melhor, conseguiram brincar com seus personagens, seus sentimentos estavam nítidos. Todos brilharam no palco! Palmas para a equipe técnica que com tão boa vontade ajudou a abrilhantar a peça! Palmas para o diretor-geral, Quak, que me permitiu dirigir uma montagem com total confiança! Ele, que mesmo podendo vetar algumas situações, me deu livre-arbítrio para fazer do meu modo e conseguir enxergar esse trabalho como um verdadeiro espetáculo! Que venham os próximos!

Alex Borges
Ator e Coordenador do Curso de Teatro da Cia. Tumulto
Diretor do espetáculo
Prazer em Família

7 comentários:

RICARDO ANDRADE disse...

Foi belo ver os atores se deliciarem e perceber no olhar do Alex o desejo de tudo dá certo.É muito bom sabe que fiz e faço parte dessa histórias e de muitas outras.

Nelson disse...

UMAS DAS MELHORES PEÇAS QUE JA VI.
OLHA QUE ME ACHO MUITO CRITICO.

Lutieni disse...

Grande estréia!!
Espetáculo lindo e emocionante com uma direção de grande sensibilidade e os atores muito envolvidos, entregues para felicidade.
Amei!!

RICARDO ANDRADE disse...

Foi belo ver os atores se deliciarem e perceber no olhar do Alex o desejo de tudo dá certo.É muito bom saber que fiz e faço parte dessa história e de muitas outras.

Thiago disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Thiago disse...

Ter feito esta peça foi super bacana. Foi um dos papeis que mais me senti a vontade de fazer. Ter feito este trabalho foi um grande presente.Foi linda, teve um direção muito sensivel e clara.
A segurança que o diretor nos passou em todo processo até a estreia, foi um dos pontos de grande destaque , para o grande resultado que foi.
Parabéns Cia Tumulto.

" Se você não estiver ardendo, não poderá inflamar ninguém"

Thiago Ramos
Ator da Cia. de Teatro Tumulto

ANDRÉ CARVALHO disse...

Uma das melhores peças que ja tive o prazer de participar . Foi muito bom trabalhar nesse projeto . Todos se entregaram de corpo e alma . E eu ganhei um presente . Fui escalado aos 42 minutos do segundo tempo . Muito obrigado a todos que me receberam nesse projeto de braços abertos .

Meu parabéns alex borges .